Velha pra que mesmo?

A Natura acertou muito em cheio com o comercial do Chronos 60+.  Acendeu uma luz sobre um assunto que é bem polêmico no Brasil. E não só entre o púbico 60+.

Sendo mulher e brasileira, é praticamente impossível não ter ouvido essa pergunta pelo menos uma vez: você já não está muito velha pra isso?

E o pior: a pergunta geralmente aparece em momentos de alegria ou leveza em relação a algum fato associado a pessoas de menos idade.

Talvez a menina de 11 anos tenha brincado de boneca de menos quando era menor. Isso aconteceu comigo. Lembro que passei um tempão preferindo carrinhos e brincadeiras de policia e ladrão.

Em algum momento esqueci de brincar de bonecas.

Mas depois lembrei. E então foi como um intensivo de férias. Eu e minha amiga Madeleine no quintal da casa dela fingindo estar sempre atarefadas com crianças por levar no colégio ou por alimentar, dar banho, colocar para dormir.

Exercitando nosso dom de cuidar.

Eu entendia que as outras meninas da nossa idade não tinham mais interesse nenhum em bonecas, mas para nós não fazia diferença.

Por sorte não apareceu ninguém dizendo que estávamos velhas para brincar com bonecas. Ninguém nos censurou.

Idades limites para fazer coisas são padrões. Mas quem é capaz de determinar esse tipo de coisa a não ser a gente mesmo?

O comercial da Natura nos lembra disso. E de como esses padrões por vezes são desnecessários.

E teve polêmica rolando no Instagram. Algumas mulheres se queixaram quanto ao uso da palavra “velha”.

Francamente.

Ando muito sem paciência com pessoas preocupadas demais com as palavras que os outros falam. Uma disse que velha era uma palavra ofensiva e sugeriu usar “madura”.

Francamente!

Alguém tem que dizer para essas pessoas que o problema não está em usar a palavra “velha”. O problema é o preconceito contra as pessoas velhas. O problema é considerar a palavra “velha” uma ofensa.

O problema está no fazer e no sentir. As palavras só sinalizam. 

(E muitas vezes na direção de quem se sente mal ao ouvir certas palavra e não de quem as diz.)

Já imaginaram como essas pessoas vão se sentir quando envelhecerem? Ou será que quando envelhecerem vão colocar o pijama e se esconder?

Natura, comercial aprovadíssimo pelo SessenTeen!

Veja também esse comercial mais antigo da Natura, com o mesmo tema.

A ciência de envelhecer

Um dia Mirian Goldenberg chegou à conclusão de que não queria envelhecer. Estava com 21 anos e tinha acabado de ler o ensaio “A velhice”, de Simone de Beauvoir.

Para Simone de Beauvoir, a possibilidade de uma bela velhice só existe a partir de um projeto de vida singular. Para isso a pessoa precisa se autorizar a fazer escolhas conforme sua própria vontade e não de acordo com regras ditadas pelos outros.

Apesar de ter achado o texto cruel, Mirian Goldenberg tinha acabado de descobrir as bases do que ela mesma escreveria anos depois em seu próprio livro “A Bela Velhice”. E um assunto que ainda iria render muitas descobertas em sua vida de pesquisadora.

 

Como doutora em Antropologia Social e Professora do Pós-Graduação em Sociologia da UFRJ, Mirian já realizou inúmeras pesquisas qualitativas e quantitativas com foco nas representações de gênero, casamento, infidelidade, sexualidade, construção social do corpo e envelhecimento.

Os alemães não entendem isso, mas gostariam de entender.

E lá se foi a pesquisadora Mirian Goldenberg dar palestras em diversas universidades da Alemanha, sobre a importância do corpo na sociedade brasileira.

Ao ouvir alemãs de mais de sessenta anos, ficou surpresa ao constatar que não falavam sobre envelhecimento e decadência do corpo e sim sobre projetos de vida, trabalho e realizações.

Essa diferença se tornou ainda mais nítida em seu retorno ao Brasil, avaliando o tempo que brasileiras entre 30 e 40 anos dedicam à observação e a queixas sobre problemas como flacidez e aumento de peso.

Tudo isso está muito ligado à maneira como as pessoas encaram o envelhecimento.

Sua pesquisa Corpo, Envelhecimento e Felicidade revelaria que o medo de envelhecer é bem maior em pessoas de 30 a 40 do que de 50 a 60 anos. Aqui no Brasil.

“Quando penso em uma forma positiva de envelhecer, penso nos Babyboomers. Esses homens e mulheres que nunca foram e nunca serão controlados pelas normas sociais. São indivíduos que se reinventam permanentemente.”

 “Desencanar” das expectativas dos outros em relação ao que devemos ser dá uma sensação muito boa de liberdade. Novos interesses surgem. Novas perspectivas. E ao mesmo tempo, antigos projetos e sonhos podem ser revisitados.

“Os velhos que estão vivendo bem me ensinam como viver bem, não como envelhecer bem.” (Mirian Goldenberg)

Fontes:

Corpo, envelhecimento e felicidade na cultura brasileira, Mirian Goldemberg. (Artigo da Revista Contemporânea da UERJ)

 “A Bela Velhice” (palestras no Café Filosófico CPFL)

 

Envelhecer sim, mas com muito estilo

Ronaldo Fraga é meu ídolo desde o lançamento da sua coleção outono/inverno 2009. Em vez de modelos normais, adultos, magros e jovens, quem desfilou as roupas foram crianças e idosos.

Foto Flavio Moraes/G1

Inspirado no espetáculo Giz, criado por Álvaro Apocalypse para o teatro de bonecos Giramundo, Ronaldo surpreendeu com a escolha dos modelos e o contraste das idades. Rendeu até ensaio fotográfico na Revista Trip (foto em destaque).

Chamou a atenção para o lado efêmero da vida.

Imagens Agência Fotosite

Depois foi a vez de causar mostrando mulheres de todas as idades com os seios à mostra e caracterizadas como sereias de um mar invadido pela poluição. Era o lançamento da coleção do verão de 2016.

foto: Gabriel Cappelletti/ Agência Fotosite

Novo tapa de luvas na superficialidade e na inconsequência da moda. Mais um toque de desconstrução sobre a ditadura dos padrões de beleza.

Palavras de Ronaldo Fraga sobre esse desfile: “Quando eu falo de sereia, estou falando da força feminina, da força da transformação, do poder da sedução, e isso não envelhece. Queria falar de uma história como essa mesmo num país onde é pecado envelhecer, é pecado ser negro, é pecado ser gordo, e dizer: ‘não, as sereias são lindas, elas não envelhecem e podem ter o corpo que quiserem”.

Em seu texto “A moda e o novo velho”, na Revista Trip  e também no documentário Novos Velhos, da GloboNews, Ronaldo Fraga conta o caso de Magnólia, uma senhora que viria a ser sua cliente fiel. Mas que na primeira vez que entrou em sua loja mentiu que estava procurando roupa para a neta. Tudo menos ouvir a dolorosa sentença à qual já estava acostumada: “Não temos roupa para a sua idade”.

Ronaldo Fraga no documentário “Novos Velhos”

No episódio “Novos Velhos” do Globo News Documento, Ronaldo Fraga comenta sobre o “manto da invisibilidade” que é imposto às pessoas que passam dos 60 anos no Brasil. Veja o trailer no link, mas procure assistir na íntegra. Tem no Globo News Play , no Net Now e de repente surge uma reprise na programação da GloboNews. Se você ainda não viu, fique de olho porque vale a pena.

Difícil não se emocionar com os depoimentos de idosos como a bailarina Marilena Ansaldi e seu talento que resiste a tudo. Ou com a história de Judith e seus 85 anos de alegria à flor da pele, em dezenas de tatuagens. E de tantos outros idosos que estão reinventando a cara e o jeito da velhice no Brasil.

E em meio a tudo isso, o pré-envelhecente Ronaldo Fraga mostrando que com ele não tem essa de negar a realidade. Aos 50, sua preocupação é descobrir como se faz para a chama não se apagar.

Jaeger no Novos Velhos

E nisso de observar a vida e as pessoas sem preconceitos, o estilista cria uma moda que é muito mais que moda. É arte, inclusão e revolução.

Nos anos 60/70 a geração dos Babyboomers mudou o jeito como o mundo via os jovens e a moda teve tudo a ver com isso.

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Agora os babyboomers têm um novo desafio pela frente: inventar um novo tipo de envelhecimento. Quem sabe a moda não ajuda de novo?

Reencontro poético

Desde que eu comecei o SessenTeen, pra ser um espaço de reflexão sobre a “nova terceira idade”,  têm acontecido coisas bem interessantes.

Descobertas, redescobertas, reencontros.

Um belo dia eu abro a página e vejo a mensagem da Elizabete Mattos, que foi minha colega no segundo grau do Colégio de Aplicação, em Porto Alegre.

Ela contou que escrevia poesias, que algumas eram sobre a questão da idade e  perguntou se eu queria dar uma olhada.

Claro que eu queria conhecer as poesias.

(Também aproveitei e fiz um monte de perguntas sobre como ela está SessenTeendo nessa nova etapa da vida.)

Vislumbrar a evolução dessa ex-colega que eu nunca mais tinha visto foi muito bom.

Bette Mattos, para usar seu nome de poeta, é cardiologista, pesquisadora, e logo depois da residência, foi de Porto Alegre ao Rio de Janeiro, para a pós-graduação.

Lá conheceu Octavio, futuro parceiro em uma união de muita cumplicidade, que agora já está completando 35 anos.

Como cardiologista, sempre pisou fundo, entregando-se de corpo e alma a sua grande paixão, a pesquisa em cardiologia. Até um acidente de automóvel abrir seus olhos para “a possibilidade da morte a qualquer momento, sem aviso, em qualquer idade”.

Foi aí que ela resolveu voltar a uma atividade que adorava desde jovem. Leitora voraz de poesias, tinha o hábito de decorar as que mais gostava. Outras, ia modificando, como se respondesse aos autores. 

Hoje a Bette já está com um certo “pé no freio” na atividade médica e consegue dedicar parte do dia a ler e escrever, sempre.

Suas poesias da série “A geometria dos sessenta” transformam e dialogam com as de poetas como Carlos Drummond de Andrade e Fernando Pessoa, numa prática que se chama Intertextualidade. Mas para ela são brincadeiras poéticas, pois o processo criativo é sempre divertido.

Sobre a questão da idade, Bette diz que se sente exatamente como sempre, entusiasmada. Considera que na medicina, envelhecer tem um certo charme. E avalia que é uma grande vantagem dos mais velhos o fato de que a opinião dos outros passa a não importar tanto.

“A audácia pode diminuir mas a coragem, principalmente a moral, aumenta muito.”

Adorei o reencontro, Bette!

E gostei tanto da Geometria dos Sessenta que segue abaixo um trecho da outra: Na reta dos Sessenta. Dei uma agrupada em algumas linhas e separei por barras verticais, pra caber num espaço menor. Espero que não bagunçado demais a geometria (é que eu queria muuuuito mostrar aqui no SessenTeen, certo Bette?)

Então já sabem: onde tem barra vertical, na verdade é “nova linha” na poesia. E como a poesia Na curva dos sessenta, que abre este post, também é só um trecho. Aí vai.

Bjs!

60Teen

Ou, por que não assinei o abaixo-assinado pela prisão dos irmãos Batista.

O abaixo-assinado pedindo a prisão de Wesley e Joesley Batista, que andou circulando na rede esses dias, significa uma distração do foco no que realmente importa hoje, na minha opinião. Ele serve muito bem para desviar a atenção da cena trágica que está acontecendo no Palácio do Planalto.

Mas vamos lá, mesmo assim. Tem mais motivos para não assinar.

Imagino que para um empresário corrupto, acostumado a pagar para que políticos realizem seus desejos, ver o Marcelo Odebrecht, magro e envelhecido dando depoimentos na TV não seja nada estimulante a fazer uma delação premiada. 

Já imaginar que os irmãos Batista vão se safar depois de confessar aquela lista de horrores, isso sim pode estimular novas delações. Quem sabe.

Esses irmãos não são inescrupulosos fora da lei? São. Mas quanto a isso ninguém tem dúvida.

Principalmente depois dessa superexposição. Não demora, a casa cai.

O que ninguém vê a hora de acabar é esse Brasil com líderes no Executivo,  Legislativo e Judiciário, dando permissão e espaço para esse tipo de indivíduo fazer a festa. Abrindo portas, dando cargos, trabalhando para os malandros, recebendo salários deles.

Isso acontece no Brasil sei lá desde quando, só sei que faz muito tempo.

Não sou contra Joesley e Wesley serem punidos. Bem pelo contrário.

Mas quando me deparei com a frase “O povo brasileiro EXIGE JUSTIÇA”, em destaque no abaixo-assinado, soou muito falso. Muito falso.

O povo brasileiro raramente EXIGE alguma coisa. Aí, de repente, um daqueles famosos intocáveis de antigamente fica totalmente exposto em suas “travessuras” com o dinheiro público, prestes a cair, e é justamente nesse momento que o povo brasileiro resolve EXIGIR JUSTIÇA?!  

Peraí: justo quando acabaram de acender uma holofote nas trevas?!

Fiquei na dúvida se este abaixo assinado veio do povo mesmo. E na dúvida, melhor não assinar nada.

Existe uma diferença entre descobrir falcatruas de Lula ou Dilma e desmascarar falcatruas de Temer. Temer representa o Brasil de desde sempre, aquele de muito antes do PT. O Brasil da corrupção de raiz, a mãe de todas as corrupções, a legítima, a que não solta as tiras. Nem as tiras nem os cargos que garantem dinheiro de caixa dois de um lado e foro privilegiado do outro.

Tá certo. É quase uma provocação dar visibilidade ao tipo de ambiente que os manos Batista frequentam em Nova York. Dá raiva? Muita. Mas raiva não é, necessariamente, um sentimento ruim nessas horas. Pode até fazer bem. Nesse caso, gerou um barulho danado.

Aí vem o STF e avisa, imperturbável: “ok, vamos rever os termos do contrato”. Simples assim.

Sabendo que o encontro hollywoodiano de Joesley Batista com Temer foi “friamente calculado”, planejado passo a passo com antecedência, chega a dar uma esperança de que finalmente alguém tem uma estratégia. Só espero que amanhã o STF não venha dizer que foram ingênuos, como tantos “arrependidos” andam fazendo por aí. 

Alguém tem que manter o foco. E o foco não é do Palácio do Planalto para fora. É para dentro. Aqui fora, ladrão querendo se empoderar é o que não falta, certo?

Sai um Wesley, vêm mais uns 15 safadões à procura de um político pra chamar de seu.

Por toda parte. É como uma praga, difícil controlar. Mas por outro lado, nunca se esperou nada desses caras.

Já os políticos são bem fáceis de localizar. E deles, tem gente que ainda espera muita coisa. Por incrível que pareça. Precisamos, TODOS, manter o foco.

Nem Wesleys nem Joesleys vão dar folga enquanto houver políticos dispostos a dizer sim. A se unirem a eles em comunhão de bens. 

Por enquanto, melhor dois fominhas voando pra Nova York do que meio (1/2) fominha aqui, mas com um corrupto em suas mãos.

Redondo é deixar de ser quadrado

Primeiro foi a Renner, que colocou uma modelo de cabelos brancos bonita e sorridente no comercial da coleção outono-inverno.

Uma mulher da terceira idade em uma propaganda de creme anti-rugas é uma coisa. Num comercial de moda é outra.

Agora foi a vez da Skol.

Sempre achei as marcas brasileiras relutantes demais em aceitar que o púbico 60+ existe.

Ao contrário de tantas grifes europeias, que não cansam de usar modelos grisalhas cheias de estilo, as marcas brasileiras parecem negar que pessoas envelhecem.

Comprovei isso várias vezes como publicitária.

A ponto de anúncios para o dia dos pais usarem modelos de trinta e poucos anos fingindo ser pais. De garotões de 20.

Pai aos 15?

Se as pessoas NÃO entendessem que era pra ser a foto de um pai ao lado de um filho, azar. Ruim era o anúncio ficar parecendo “velho”.

Como se parecer “velho” fosse uma doença tão terrível que, melhor nem olhar.

Outra coisa. Pesquisa de marketing. Cansei de ver questionários que simplesmente excluíam faixas etárias acima de 55 anos, mesmo para produtos que podem ser consumidos a vida inteira.

Engraçado isso.

São pessoas que já viveram muitas experiências, em muitas esferas diferentes da existência.

Pessoas que podem mudar o rumo de uma conversa simplesmente ao contar um fato importante que acompanharam no passado. Ou algo que compreenderam sobre a vida.

E que se mantém ativas, aposentadas ou não. Porque a fila anda.

Porém, em grande parte das pesquisas de marketing, sua opinião simplesmente não conta.

Como se ao envelhecerem, as pessoas parassem de buscar soluções para o dia a dia. Parassem de se divertir, de se relacionar, de viajar.

É exatamente ao contrário.

Essa é uma fase da vida em que as pessoas costumam se reinventar.

 

 

Foi por isso que eu gostei tanto do novo comercial da Skol (??veja. Só clicar).

O texto é ótimo.

_ Olha só:

“Qual é a idade dessa guitarra? Isso é moderno ou ultrapassado (mostrando o bigode estilo século XIX)?

Cabeça jovem combina bem em cima de qualquer corpo, mesmo que esteja cheia de cabelos brancos.

Jovem, idoso, qual dos dois é mais excitante, hein? Que tal os dois, juntos e renovados?

Tudo pode quando o espírito é jovem.

Só o que não pode é julgar alguém pela idade. Porque isso é que é velho, meu velho. Muito velho.”

Sério. Como é  bom ouvir isso.

Melhor ainda é ver a cena do casal de idosos requebrando na pista de dança. Ou o vovô correndo com a prancha em direção ao mar. Atrás dele são seus netos?

Todos os filmes da campanha “Redondo é sair do seu quadrado” são bons. Mas esse, especialmente, desceu redondão.

Apontar um preconceito faz valer todos os segundos de um comercial.

Fazer isso de um jeito leve e inteligente então, nem se fala.

Aprovadaço pelo Sessenteen.

No Facebook. https://www.facebook.com/skol/videos/10155268014792958/

 

 

 

Instagrandma

Sabe a Baddie Winkle? Ela é uma octogenária que bomba soberana com três milhões de seguidores no Instagram. Mesmo pra quem não curte seguir celebridades nas mídias sociais, vale a pena dar uma olhada nos posts simples e engraçados que já conquistaram seguidores como Rihanna e Miley Cyrus. Na verdade são apenas imagens dela, usando os looks mais variados, sempre coloridos e bem humorados.

   

Sabe a revolução das mídias sociais?As mídias sociais deram voz às pessoas comuns. Antes da internet, os chamados emissores eram basicamente os veículos de comunicação.  Era um caminho de mão única. Do emissor para um receptor com pouquíssimas chances de expressar sua opinião. Com as mídias sociais, todo receptor virou um emissor. Sempre que um deles conquista muitos seguidores, passa a funcionar como se fosse um veículo de comunicação e a levar informação para as pessoas. Como as Kardashians da vida, celebridades que se criaram dentro desse ambiente.

Sabe as celebridades da internet?Nesse cenário, Baddie Winkle é um fenômeno intrigante. Kim Kardashian teve um video de pornografia vazado na internet como alavanca principal para a fama. Seguiu o caminho da  amiga Paris Hilton, que teve vários vídeos “roubados”. O escandaloso, assim como o grotesco e o trágico, se espalham com muita facilidade na rede. Já o que bombou a imagem de Winkle foi uma foto dela na porta de casa, sorridente, com uma roupa super colorida e nada ousada.

Sabe a revolução da longevidade?Com 88 anos, a ousadia de Baddie Winkle está mais no sorriso de bem com a vida do que nas roupas coloridas e nos tênis com luzinhas. Nesse vídeo da CNN dá pra ver que a grande maioria dos fãs de Baddie Winkle são jovens. Talvez por não terem referências para escolher o que querem ser quando envelhecerem. Ou por não gostarem das que têm. Num mundo em que as expectativas de vida aumentam dia após dia e que a pirâmide das faixas etárias tende a inverter, talvez seja importante pensar sobre isso.

Sabe a mensagem de Baddie Winkle? Ela irradia a experiência de quem já teve grandes perdas, mas não se entregou para a tristeza e resolveu se reinventar.  Diz que não sabe o que deveria ou o que se espera que ela sinta em função de sua idade: ela simplesmente não se sente velha.

Quer ser uma referência para a sua geração, para que as pessoas façam o que sempre quiseram fazer e sejam o que sempre quiseram ser. E não desistam, não se entreguem para a desesperança, como um dia ela quase se entregou. O mais interessante é que assim ela virou uma pessoa querida, uma referência também para os muito mais jovens.

(Baddie Winkle participou da gravação da música Instagrandma, do grupo Nod one’s Head. Veja um pedacinho da música nesse link que ela colocou no seu perfil do Instagram.)

Madonna, desde quando você é santinha?

De que Material é feita essa Girl?

Essa Madonna, sempre aprontando das suas. Aquele discurso pelo prêmio de Mulher do Ano da Billboard não me sai da cabeça.

Vibrei muito da primeira vez que ouvi. Madonna, a arrasa-quarteirão, admitindo dificuldades. A super mega blaster Madonna se queixando do machismo. Esse, que tanto incomoda reles mortais.

A bilionária Madonna posando de garotinha que se queixa para os pais dos irmãos descolados (Prince e David Bowie). Para eles não existem regras. Para ela, droga, uma imensa lista de “do not”.

Nunca imaginei a vida do David Bowie como um mar de rosas. Muito menos a do Prince. Ser celebridade gay, bi-sexual, ou apenas andrógina, não devia ser exatamente uma zona de conforto nos anos 70/80.

Nunca imaginei a Madonna preocupada com algo que não pudesse fazer.

Madonna me parecia bem mais tranquila que o Prince, por exemplo. Lembro que quando ele mudou seu nome para aquele símbolo impronunciável, achei que era um sinal de perda total da identidade.

E quer identidade mais forte que a da Madonna?

Confesso que nunca fui muito fã de nenhum dos dois. Não que justificasse querer entender suas trajetórias de vida.

Mas cogitar se David Bowie seria tão bom se sofresse com as mesmas regras e imposições que ela, isso doeu no meu ouvido. Arranhou a agulha no vinil.

(Corta para as entrelinhas do discurso da Madonna)

“Olha, gente, se eu não fiz mais ou melhores coisas é porque existem muitas regras para as meninas. Para os meninos, não. Se não estou tocando nas rádios, é porque não segui as regras. Mulheres não podem fazer isso. Ah, e também porque envelheci. Mulheres não podem fazer isso também.”

Algo não fecha.

Quando a erótika Madonna bateu boca com Camille Paglia, ela rompeu com o feminismo. Ignorou, como algo que não tivesse nada a ver com ela. Isso faz todo o sentido.

Agora ela revela uma grande revolta com todas as injustiças tipicamente machistas que sofreu. Isso não faz muito sentido.

Será que essa Madonna cansou de ser aquela Madonna que não liga para regras? Que não liga muito pra nada, aliás, a não ser ficar rica e poderosa?

Se for assim, reclamar das injustiças desse mundo é como botar a culpa nos outros, por coisas que ela mesma não está com vontade de fazer.

Aí até dá pra entender porque o discurso soa tão falso.

Viva la revolución

Você já ouviu falar  na “revolução da longevidade”? E no “envelhecimento ativo” ?

Eu ignorava tudo isso até ler uma entrevista com Alexandre Kalache na Zero Hora,  “O Brasileiro é preconceituoso com a velhice”, que foi o que deu início à criação deste site.

Nessa entrevista, também publicada no ClicRBS, o presidente do Centro Internacional de Longevidade do Brasil explica que a quantidade de anos extra que foram acrescentados à nossa expectativa é uma revolução.
Continue lendo “Viva la revolución”

Desculpe, Enclausurado, mas ladies first.

No quesito leitura, o SessenTeen passou o verão no clube da Luluzinha.

Rita Lee contando histórias eletrizantes em sua fantástica autobiografia, Jane Fonda com seu tratado sobre a terceira idade, fazendo um up to date de primeiríssima, com milhões de dicas, e Anne Karpf, com seu “Como Envelhecer”, edição da School of Life, que eu vou começar agora.

Com tantas mulheres maduras ocupando a minha cabeceira, ou canga, dependendo do momento, neste verão ainda não nasceu o dia de eu começar a ler Enclausurado, com o perdão do trocadilho spoiler sutil (pra quem não lê contracapa).

Sobre o livro da Jane Fonda eu já falei um pouco esses tempos, no post Jane Fonda, inspiração que não acaba mais. Confirmado. A inspiração não acabou ainda, estou sempre relendo, não consigo desgrudar. Virou bíblia. Já tá na mala pra viajar pela segunda vez comigo, só nesse verão.

A autobiografia de Rita Lee resolveu bailar comigo. Não consegui parar de rir um só minuto. Nem de me emocionar, nem de me surpreender. É intenso. E o texto de Rita Lee não soa “velho” nem quando ela conta que ia de bonde para o colégio. Genia.

A Anne Karpf, como disse antes, eu ainda não peguei. Sem trocadilho, por favor (emoji maroto). Mas já dei umas bicadas e vi que tem insights e histórias muito legais, contadas de um jeito leve. Não vejo a hora..

Partiu folia “cas” amiga?

Com isso tudo, o pobrezinho do Enclausurado, que já está na fila desde que o Ian McEwen veio a Porto Alegre, no Fronteiras do Pensamento, vai ter que continuar lá.

Sei que é um crime, já pedindo perdão pelo segundo trocadilho spoiler da minha vida. Mas podem por a culpa no SessenTeen. Esse site (ou blog?) só se interessa por assuntos relacionados a longevidade. Quem mandou Ian McEwen escrever um livro sobre alguém que ainda nem nasceu?

Oops, I did it again.