Madonna, desde quando você é santinha?

De que Material é feita essa Girl?

Essa Madonna, sempre aprontando das suas. Aquele discurso pelo prêmio de Mulher do Ano da Billboard não me sai da cabeça.

Vibrei muito da primeira vez que ouvi. Madonna, a arrasa-quarteirão, admitindo dificuldades. A super mega blaster Madonna se queixando do machismo. Esse, que tanto incomoda reles mortais.

A bilionária Madonna posando de garotinha que se queixa para os pais dos irmãos descolados (Prince e David Bowie). Para eles não existem regras. Para ela, droga, uma imensa lista de “do not”.

Nunca imaginei a vida do David Bowie como um mar de rosas. Muito menos a do Prince. Ser celebridade gay, bi-sexual, ou apenas andrógina, não devia ser exatamente uma zona de conforto nos anos 70/80.

Nunca imaginei a Madonna preocupada com algo que não pudesse fazer.

Madonna me parecia bem mais tranquila que o Prince, por exemplo. Lembro que quando ele mudou seu nome para aquele símbolo impronunciável, achei que era um sinal de perda total da identidade.

E quer identidade mais forte que a da Madonna?

Confesso que nunca fui muito fã de nenhum dos dois. Não que justificasse querer entender suas trajetórias de vida.

Mas cogitar se David Bowie seria tão bom se sofresse com as mesmas regras e imposições que ela, isso doeu no meu ouvido. Arranhou a agulha no vinil.

(Corta para as entrelinhas do discurso da Madonna)

“Olha, gente, se eu não fiz mais ou melhores coisas é porque existem muitas regras para as meninas. Para os meninos, não. Se não estou tocando nas rádios, é porque não segui as regras. Mulheres não podem fazer isso. Ah, e também porque envelheci. Mulheres não podem fazer isso também.”

Algo não fecha.

Quando a erótika Madonna bateu boca com Camille Paglia, ela rompeu com o feminismo. Ignorou, como algo que não tivesse nada a ver com ela. Isso faz todo o sentido.

Agora ela revela uma grande revolta com todas as injustiças tipicamente machistas que sofreu. Isso não faz muito sentido.

Será que essa Madonna cansou de ser aquela Madonna que não liga para regras? Que não liga muito pra nada, aliás, a não ser ficar rica e poderosa?

Se for assim, reclamar das injustiças desse mundo é como botar a culpa nos outros, por coisas que ela mesma não está com vontade de fazer.

Aí até dá pra entender porque o discurso soa tão falso.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *