A ciência de envelhecer

Um dia Mirian Goldenberg chegou à conclusão de que não queria envelhecer. Estava com 21 anos e tinha acabado de ler o ensaio “A velhice”, de Simone de Beauvoir.

Para Simone de Beauvoir, a possibilidade de uma bela velhice só existe a partir de um projeto de vida singular. Para isso a pessoa precisa se autorizar a fazer escolhas conforme sua própria vontade e não de acordo com regras ditadas pelos outros.

Apesar de ter achado o texto cruel, Mirian Goldenberg tinha acabado de descobrir as bases do que ela mesma escreveria anos depois em seu próprio livro “A Bela Velhice”. E um assunto que ainda iria render muitas descobertas em sua vida de pesquisadora.

 

Como doutora em Antropologia Social e Professora do Pós-Graduação em Sociologia da UFRJ, Mirian já realizou inúmeras pesquisas qualitativas e quantitativas com foco nas representações de gênero, casamento, infidelidade, sexualidade, construção social do corpo e envelhecimento.

Os alemães não entendem isso, mas gostariam de entender.

E lá se foi a pesquisadora Mirian Goldenberg dar palestras em diversas universidades da Alemanha, sobre a importância do corpo na sociedade brasileira.

Ao ouvir alemãs de mais de sessenta anos, ficou surpresa ao constatar que não falavam sobre envelhecimento e decadência do corpo e sim sobre projetos de vida, trabalho e realizações.

Essa diferença se tornou ainda mais nítida em seu retorno ao Brasil, avaliando o tempo que brasileiras entre 30 e 40 anos dedicam à observação e a queixas sobre problemas como flacidez e aumento de peso.

Tudo isso está muito ligado à maneira como as pessoas encaram o envelhecimento.

Sua pesquisa Corpo, Envelhecimento e Felicidade revelaria que o medo de envelhecer é bem maior em pessoas de 30 a 40 do que de 50 a 60 anos. Aqui no Brasil.

“Quando penso em uma forma positiva de envelhecer, penso nos Babyboomers. Esses homens e mulheres que nunca foram e nunca serão controlados pelas normas sociais. São indivíduos que se reinventam permanentemente.”

 “Desencanar” das expectativas dos outros em relação ao que devemos ser dá uma sensação muito boa de liberdade. Novos interesses surgem. Novas perspectivas. E ao mesmo tempo, antigos projetos e sonhos podem ser revisitados.

“Os velhos que estão vivendo bem me ensinam como viver bem, não como envelhecer bem.” (Mirian Goldenberg)

Fontes:

Corpo, envelhecimento e felicidade na cultura brasileira, Mirian Goldemberg. (Artigo da Revista Contemporânea da UERJ)

 “A Bela Velhice” (palestras no Café Filosófico CPFL)

 

Envelhecer sim, mas com muito estilo

Ronaldo Fraga é meu ídolo desde o lançamento da sua coleção outono/inverno 2009. Em vez de modelos normais, adultos, magros e jovens, quem desfilou as roupas foram crianças e idosos.

Foto Flavio Moraes/G1

Inspirado no espetáculo Giz, criado por Álvaro Apocalypse para o teatro de bonecos Giramundo, Ronaldo surpreendeu com a escolha dos modelos e o contraste das idades. Rendeu até ensaio fotográfico na Revista Trip (foto em destaque).

Chamou a atenção para o lado efêmero da vida.

Imagens Agência Fotosite

Depois foi a vez de causar mostrando mulheres de todas as idades com os seios à mostra e caracterizadas como sereias de um mar invadido pela poluição. Era o lançamento da coleção do verão de 2016.

foto: Gabriel Cappelletti/ Agência Fotosite

Novo tapa de luvas na superficialidade e na inconsequência da moda. Mais um toque de desconstrução sobre a ditadura dos padrões de beleza.

Palavras de Ronaldo Fraga sobre esse desfile: “Quando eu falo de sereia, estou falando da força feminina, da força da transformação, do poder da sedução, e isso não envelhece. Queria falar de uma história como essa mesmo num país onde é pecado envelhecer, é pecado ser negro, é pecado ser gordo, e dizer: ‘não, as sereias são lindas, elas não envelhecem e podem ter o corpo que quiserem”.

Em seu texto “A moda e o novo velho”, na Revista Trip  e também no documentário Novos Velhos, da GloboNews, Ronaldo Fraga conta o caso de Magnólia, uma senhora que viria a ser sua cliente fiel. Mas que na primeira vez que entrou em sua loja mentiu que estava procurando roupa para a neta. Tudo menos ouvir a dolorosa sentença à qual já estava acostumada: “Não temos roupa para a sua idade”.

Ronaldo Fraga no documentário “Novos Velhos”

No episódio “Novos Velhos” do Globo News Documento, Ronaldo Fraga comenta sobre o “manto da invisibilidade” que é imposto às pessoas que passam dos 60 anos no Brasil. Veja o trailer no link, mas procure assistir na íntegra. Tem no Globo News Play , no Net Now e de repente surge uma reprise na programação da GloboNews. Se você ainda não viu, fique de olho porque vale a pena.

Difícil não se emocionar com os depoimentos de idosos como a bailarina Marilena Ansaldi e seu talento que resiste a tudo. Ou com a história de Judith e seus 85 anos de alegria à flor da pele, em dezenas de tatuagens. E de tantos outros idosos que estão reinventando a cara e o jeito da velhice no Brasil.

E em meio a tudo isso, o pré-envelhecente Ronaldo Fraga mostrando que com ele não tem essa de negar a realidade. Aos 50, sua preocupação é descobrir como se faz para a chama não se apagar.

Jaeger no Novos Velhos

E nisso de observar a vida e as pessoas sem preconceitos, o estilista cria uma moda que é muito mais que moda. É arte, inclusão e revolução.

Nos anos 60/70 a geração dos Babyboomers mudou o jeito como o mundo via os jovens e a moda teve tudo a ver com isso.

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Agora os babyboomers têm um novo desafio pela frente: inventar um novo tipo de envelhecimento. Quem sabe a moda não ajuda de novo?

Reencontro poético

Desde que eu comecei o SessenTeen, pra ser um espaço de reflexão sobre a “nova terceira idade”,  têm acontecido coisas bem interessantes.

Descobertas, redescobertas, reencontros.

Um belo dia eu abro a página e vejo a mensagem da Elizabete Mattos, que foi minha colega no segundo grau do Colégio de Aplicação, em Porto Alegre.

Ela contou que escrevia poesias, que algumas eram sobre a questão da idade e  perguntou se eu queria dar uma olhada.

Claro que eu queria conhecer as poesias.

(Também aproveitei e fiz um monte de perguntas sobre como ela está SessenTeendo nessa nova etapa da vida.)

Vislumbrar a evolução dessa ex-colega que eu nunca mais tinha visto foi muito bom.

Bette Mattos, para usar seu nome de poeta, é cardiologista, pesquisadora, e logo depois da residência, foi de Porto Alegre ao Rio de Janeiro, para a pós-graduação.

Lá conheceu Octavio, futuro parceiro em uma união de muita cumplicidade, que agora já está completando 35 anos.

Como cardiologista, sempre pisou fundo, entregando-se de corpo e alma a sua grande paixão, a pesquisa em cardiologia. Até um acidente de automóvel abrir seus olhos para “a possibilidade da morte a qualquer momento, sem aviso, em qualquer idade”.

Foi aí que ela resolveu voltar a uma atividade que adorava desde jovem. Leitora voraz de poesias, tinha o hábito de decorar as que mais gostava. Outras, ia modificando, como se respondesse aos autores. 

Hoje a Bette já está com um certo “pé no freio” na atividade médica e consegue dedicar parte do dia a ler e escrever, sempre.

Suas poesias da série “A geometria dos sessenta” transformam e dialogam com as de poetas como Carlos Drummond de Andrade e Fernando Pessoa, numa prática que se chama Intertextualidade. Mas para ela são brincadeiras poéticas, pois o processo criativo é sempre divertido.

Sobre a questão da idade, Bette diz que se sente exatamente como sempre, entusiasmada. Considera que na medicina, envelhecer tem um certo charme. E avalia que é uma grande vantagem dos mais velhos o fato de que a opinião dos outros passa a não importar tanto.

“A audácia pode diminuir mas a coragem, principalmente a moral, aumenta muito.”

Adorei o reencontro, Bette!

E gostei tanto da Geometria dos Sessenta que segue abaixo um trecho da outra: Na reta dos Sessenta. Dei uma agrupada em algumas linhas e separei por barras verticais, pra caber num espaço menor. Espero que não bagunçado demais a geometria (é que eu queria muuuuito mostrar aqui no SessenTeen, certo Bette?)

Então já sabem: onde tem barra vertical, na verdade é “nova linha” na poesia. E como a poesia Na curva dos sessenta, que abre este post, também é só um trecho. Aí vai.

Bjs!

60Teen

Ou, por que não assinei o abaixo-assinado pela prisão dos irmãos Batista.

O abaixo-assinado pedindo a prisão de Wesley e Joesley Batista, que andou circulando na rede esses dias, significa uma distração do foco no que realmente importa hoje, na minha opinião. Ele serve muito bem para desviar a atenção da cena trágica que está acontecendo no Palácio do Planalto.

Mas vamos lá, mesmo assim. Tem mais motivos para não assinar.

Imagino que para um empresário corrupto, acostumado a pagar para que políticos realizem seus desejos, ver o Marcelo Odebrecht, magro e envelhecido dando depoimentos na TV não seja nada estimulante a fazer uma delação premiada. 

Já imaginar que os irmãos Batista vão se safar depois de confessar aquela lista de horrores, isso sim pode estimular novas delações. Quem sabe.

Esses irmãos não são inescrupulosos fora da lei? São. Mas quanto a isso ninguém tem dúvida.

Principalmente depois dessa superexposição. Não demora, a casa cai.

O que ninguém vê a hora de acabar é esse Brasil com líderes no Executivo,  Legislativo e Judiciário, dando permissão e espaço para esse tipo de indivíduo fazer a festa. Abrindo portas, dando cargos, trabalhando para os malandros, recebendo salários deles.

Isso acontece no Brasil sei lá desde quando, só sei que faz muito tempo.

Não sou contra Joesley e Wesley serem punidos. Bem pelo contrário.

Mas quando me deparei com a frase “O povo brasileiro EXIGE JUSTIÇA”, em destaque no abaixo-assinado, soou muito falso. Muito falso.

O povo brasileiro raramente EXIGE alguma coisa. Aí, de repente, um daqueles famosos intocáveis de antigamente fica totalmente exposto em suas “travessuras” com o dinheiro público, prestes a cair, e é justamente nesse momento que o povo brasileiro resolve EXIGIR JUSTIÇA?!  

Peraí: justo quando acabaram de acender uma holofote nas trevas?!

Fiquei na dúvida se este abaixo assinado veio do povo mesmo. E na dúvida, melhor não assinar nada.

Existe uma diferença entre descobrir falcatruas de Lula ou Dilma e desmascarar falcatruas de Temer. Temer representa o Brasil de desde sempre, aquele de muito antes do PT. O Brasil da corrupção de raiz, a mãe de todas as corrupções, a legítima, a que não solta as tiras. Nem as tiras nem os cargos que garantem dinheiro de caixa dois de um lado e foro privilegiado do outro.

Tá certo. É quase uma provocação dar visibilidade ao tipo de ambiente que os manos Batista frequentam em Nova York. Dá raiva? Muita. Mas raiva não é, necessariamente, um sentimento ruim nessas horas. Pode até fazer bem. Nesse caso, gerou um barulho danado.

Aí vem o STF e avisa, imperturbável: “ok, vamos rever os termos do contrato”. Simples assim.

Sabendo que o encontro hollywoodiano de Joesley Batista com Temer foi “friamente calculado”, planejado passo a passo com antecedência, chega a dar uma esperança de que finalmente alguém tem uma estratégia. Só espero que amanhã o STF não venha dizer que foram ingênuos, como tantos “arrependidos” andam fazendo por aí. 

Alguém tem que manter o foco. E o foco não é do Palácio do Planalto para fora. É para dentro. Aqui fora, ladrão querendo se empoderar é o que não falta, certo?

Sai um Wesley, vêm mais uns 15 safadões à procura de um político pra chamar de seu.

Por toda parte. É como uma praga, difícil controlar. Mas por outro lado, nunca se esperou nada desses caras.

Já os políticos são bem fáceis de localizar. E deles, tem gente que ainda espera muita coisa. Por incrível que pareça. Precisamos, TODOS, manter o foco.

Nem Wesleys nem Joesleys vão dar folga enquanto houver políticos dispostos a dizer sim. A se unirem a eles em comunhão de bens. 

Por enquanto, melhor dois fominhas voando pra Nova York do que meio (1/2) fominha aqui, mas com um corrupto em suas mãos.

Redondo é deixar de ser quadrado

Primeiro foi a Renner, que colocou uma modelo de cabelos brancos bonita e sorridente no comercial da coleção outono-inverno.

Uma mulher da terceira idade em uma propaganda de creme anti-rugas é uma coisa. Num comercial de moda é outra.

Agora foi a vez da Skol.

Sempre achei as marcas brasileiras relutantes demais em aceitar que o púbico 60+ existe.

Ao contrário de tantas grifes europeias, que não cansam de usar modelos grisalhas cheias de estilo, as marcas brasileiras parecem negar que pessoas envelhecem.

Comprovei isso várias vezes como publicitária.

A ponto de anúncios para o dia dos pais usarem modelos de trinta e poucos anos fingindo ser pais. De garotões de 20.

Pai aos 15?

Se as pessoas NÃO entendessem que era pra ser a foto de um pai ao lado de um filho, azar. Ruim era o anúncio ficar parecendo “velho”.

Como se parecer “velho” fosse uma doença tão terrível que, melhor nem olhar.

Outra coisa. Pesquisa de marketing. Cansei de ver questionários que simplesmente excluíam faixas etárias acima de 55 anos, mesmo para produtos que podem ser consumidos a vida inteira.

Engraçado isso.

São pessoas que já viveram muitas experiências, em muitas esferas diferentes da existência.

Pessoas que podem mudar o rumo de uma conversa simplesmente ao contar um fato importante que acompanharam no passado. Ou algo que compreenderam sobre a vida.

E que se mantém ativas, aposentadas ou não. Porque a fila anda.

Porém, em grande parte das pesquisas de marketing, sua opinião simplesmente não conta.

Como se ao envelhecerem, as pessoas parassem de buscar soluções para o dia a dia. Parassem de se divertir, de se relacionar, de viajar.

É exatamente ao contrário.

Essa é uma fase da vida em que as pessoas costumam se reinventar.

 

 

Foi por isso que eu gostei tanto do novo comercial da Skol (??veja. Só clicar).

O texto é ótimo.

_ Olha só:

“Qual é a idade dessa guitarra? Isso é moderno ou ultrapassado (mostrando o bigode estilo século XIX)?

Cabeça jovem combina bem em cima de qualquer corpo, mesmo que esteja cheia de cabelos brancos.

Jovem, idoso, qual dos dois é mais excitante, hein? Que tal os dois, juntos e renovados?

Tudo pode quando o espírito é jovem.

Só o que não pode é julgar alguém pela idade. Porque isso é que é velho, meu velho. Muito velho.”

Sério. Como é  bom ouvir isso.

Melhor ainda é ver a cena do casal de idosos requebrando na pista de dança. Ou o vovô correndo com a prancha em direção ao mar. Atrás dele são seus netos?

Todos os filmes da campanha “Redondo é sair do seu quadrado” são bons. Mas esse, especialmente, desceu redondão.

Apontar um preconceito faz valer todos os segundos de um comercial.

Fazer isso de um jeito leve e inteligente então, nem se fala.

Aprovadaço pelo Sessenteen.

No Facebook. https://www.facebook.com/skol/videos/10155268014792958/

 

 

 

Desculpe, Enclausurado, mas ladies first.

No quesito leitura, o SessenTeen passou o verão no clube da Luluzinha.

Rita Lee contando histórias eletrizantes em sua fantástica autobiografia, Jane Fonda com seu tratado sobre a terceira idade, fazendo um up to date de primeiríssima, com milhões de dicas, e Anne Karpf, com seu “Como Envelhecer”, edição da School of Life, que eu vou começar agora.

Com tantas mulheres maduras ocupando a minha cabeceira, ou canga, dependendo do momento, neste verão ainda não nasceu o dia de eu começar a ler Enclausurado, com o perdão do trocadilho spoiler sutil (pra quem não lê contracapa).

Sobre o livro da Jane Fonda eu já falei um pouco esses tempos, no post Jane Fonda, inspiração que não acaba mais. Confirmado. A inspiração não acabou ainda, estou sempre relendo, não consigo desgrudar. Virou bíblia. Já tá na mala pra viajar pela segunda vez comigo, só nesse verão.

A autobiografia de Rita Lee resolveu bailar comigo. Não consegui parar de rir um só minuto. Nem de me emocionar, nem de me surpreender. É intenso. E o texto de Rita Lee não soa “velho” nem quando ela conta que ia de bonde para o colégio. Genia.

A Anne Karpf, como disse antes, eu ainda não peguei. Sem trocadilho, por favor (emoji maroto). Mas já dei umas bicadas e vi que tem insights e histórias muito legais, contadas de um jeito leve. Não vejo a hora..

Partiu folia “cas” amiga?

Com isso tudo, o pobrezinho do Enclausurado, que já está na fila desde que o Ian McEwen veio a Porto Alegre, no Fronteiras do Pensamento, vai ter que continuar lá.

Sei que é um crime, já pedindo perdão pelo segundo trocadilho spoiler da minha vida. Mas podem por a culpa no SessenTeen. Esse site (ou blog?) só se interessa por assuntos relacionados a longevidade. Quem mandou Ian McEwen escrever um livro sobre alguém que ainda nem nasceu?

Oops, I did it again.

 

 

 

 

Lab60+, soluções coletivas para a longevidade

O LAB60+ é um movimento que se propõe a revolucionar o significado da longevidade. Pessoas e organizações de todos os setores se unem para discutir, sugerir e implementar soluções coletivas que visam ressignificar o que é ser e realizar com mais de sessenta anos.

Não importa se você está perto ou longe dos 60, vale a pena assistir ao vídeo manifesto do movimento. Ele mostra uma realidade na qual a gente deveria pensar desde cedo.

 Siga o Lab60+ no Youtube e no Facebook

 

O cara que mudou a cara

Falando em inspiração para o surgimento desse site,  a palestra do TEDx “A nova cara da terceira idade”, realizado em Florianópolis, com o publicitário Max Petrucci, foi uma delas. É muito engraçado quando ele conta do tapa na cara que levou quando viu o livro “Growing Old is not for Sissies”, que traz fotos de pessoas de até bem mais do que 60 anos surfando, praticando esportes radicais, enfrentando com disposição os desafios da vida. Nessa época ele estava se sentindo velho. E ainda estava na faixa dos 30.

                Ícone atual da terceira idade 

Coincidência ou não, veja como são as coisas, um pouco depois disso, caiu no colo dele o briefing de um trabalho publicitário voltado para pessoas da terceira idade. Esse briefing deu origem ao projeto que mudou o símbolo dos idosos. Lembra como era? Não vale a pena. Era um velhinho curvado, caminhando apoiado em uma bengala. Conforme o Max Petrucci fala nesse TEDx, a bengala simboliza tudo de ruim associado, ainda hoje, a ser idoso no Brasil.

O mais interessante é a mudança de visão do publicitário de Max Petrucci sobre o envelhecimento. A publicidade é uma das atividades mais preconceituosas com esse assunto. Fora algumas marcas corajosas, que não têm medo de pensar e assumir posições diferentes, ou que simplesmente já se deram conta do potencial desse público, a maioria simplesmente nega o assunto. Não quer associar  sua imagem a alguém com rugas. Como se a partir de certa idade, as pessoas não tivessem mais opinião, desejos de consumo ou de qualquer outra natureza.

Assista ao TEDx no link da coluna ali ao lado, saiba mais e comemore com o SessenTeen, o fato do velhinho de bengala não ser mais a figura que representa as pessoas que completam 60 anos no Brasil.

 

Jane Fonda, inspiração que não acaba mais

No início dos anos 70, Jane Fonda trabalhou em um filme chamado Klute (no Brasil, Klute, o Passado Condena), que era legal, mas isso não vem ao caso.

O que eu nunca vou esquecer é do estilão dela nesse filme. Especialmente o do cabelo. Era uma coisa meio índia americana, com um toque de descuido à francesa, como uma parisiense saindo de casa de manhã sem pentear a franja.

Jane Fonda fazia o papel de uma garota de programa, no filme. Mas isso também não vem ao caso. A grande personagem era ela. E a partir daquele dia, eu visceralmente precisava ter aquele corte de cabelo.

Gosto de pensar que Jane Fonda percebeu cedo que sempre chamaria mais atenção para si mesma do que para seus personagens. E a partir daí, resolveu apostar tudo no filme da própria vida, como diretora, produtora e protagonista.

Logo ela faria o papel de introduzir a corrida como o exercício preferido da minha vida. Com uma simples dica: começar aos poucos, intercalando trote e caminhada. Pra não ter que abandonar o esporte em função de uma lesão no joelho, por exemplo. Nessa época ela apareceu menos na telona e mais na telinha, com seus famosos vídeos ensinando a malhar.

E depois de um longo período um pouco fora do meu foco de interesses, eis que ela ressurge flamejante em Grace, no seriado original da Netflix, Grace and Frankye, esbanjando bom humor e uma beleza inacreditável para os seus 78 anos

Jane Fonda não faz feio como atriz. Mas desconfio que interpretar nunca foi seu grande barato. Esse está muito mais em viver bem, em fazer da vida o grande espetáculo. Isso se confirma plenamente em seu livro “Jane Fonda, o Melhor Momento”.

Mais uma vez a atriz estudou mais que toda a turma e ainda sobrou disposição pra chegar distribuindo cola no dia da prova. O livro propõe um jeito diferente de encarar e entender esse que é o terceiro ato das nossas vidas. Menos pelo ângulo da simples decadência física e mais pelo da possibilidade de evolução e ascensão contínua. E isso sim, vem totalmente ao caso. Já reparou a revolução da longevidade que estamos todos protagonizando?