Ou, por que não assinei o abaixo-assinado pela prisão dos irmãos Batista.

O abaixo-assinado pedindo a prisão de Wesley e Joesley Batista, que andou circulando na rede esses dias, significa uma distração do foco no que realmente importa hoje, na minha opinião. Ele serve muito bem para desviar a atenção da cena trágica que está acontecendo no Palácio do Planalto.

Mas vamos lá, mesmo assim. Tem mais motivos para não assinar.

Imagino que para um empresário corrupto, acostumado a pagar para que políticos realizem seus desejos, ver o Marcelo Odebrecht, magro e envelhecido dando depoimentos na TV não seja nada estimulante a fazer uma delação premiada. 

Já imaginar que os irmãos Batista vão se safar depois de confessar aquela lista de horrores, isso sim pode estimular novas delações. Quem sabe.

Esses irmãos não são inescrupulosos fora da lei? São. Mas quanto a isso ninguém tem dúvida.

Principalmente depois dessa superexposição. Não demora, a casa cai.

O que ninguém vê a hora de acabar é esse Brasil com líderes no Executivo,  Legislativo e Judiciário, dando permissão e espaço para esse tipo de indivíduo fazer a festa. Abrindo portas, dando cargos, trabalhando para os malandros, recebendo salários deles.

Isso acontece no Brasil sei lá desde quando, só sei que faz muito tempo.

Não sou contra Joesley e Wesley serem punidos. Bem pelo contrário.

Mas quando me deparei com a frase “O povo brasileiro EXIGE JUSTIÇA”, em destaque no abaixo-assinado, soou muito falso. Muito falso.

O povo brasileiro raramente EXIGE alguma coisa. Aí, de repente, um daqueles famosos intocáveis de antigamente fica totalmente exposto em suas “travessuras” com o dinheiro público, prestes a cair, e é justamente nesse momento que o povo brasileiro resolve EXIGIR JUSTIÇA?!  

Peraí: justo quando acabaram de acender uma holofote nas trevas?!

Fiquei na dúvida se este abaixo assinado veio do povo mesmo. E na dúvida, melhor não assinar nada.

Existe uma diferença entre descobrir falcatruas de Lula ou Dilma e desmascarar falcatruas de Temer. Temer representa o Brasil de desde sempre, aquele de muito antes do PT. O Brasil da corrupção de raiz, a mãe de todas as corrupções, a legítima, a que não solta as tiras. Nem as tiras nem os cargos que garantem dinheiro de caixa dois de um lado e foro privilegiado do outro.

Tá certo. É quase uma provocação dar visibilidade ao tipo de ambiente que os manos Batista frequentam em Nova York. Dá raiva? Muita. Mas raiva não é, necessariamente, um sentimento ruim nessas horas. Pode até fazer bem. Nesse caso, gerou um barulho danado.

Aí vem o STF e avisa, imperturbável: “ok, vamos rever os termos do contrato”. Simples assim.

Sabendo que o encontro hollywoodiano de Joesley Batista com Temer foi “friamente calculado”, planejado passo a passo com antecedência, chega a dar uma esperança de que finalmente alguém tem uma estratégia. Só espero que amanhã o STF não venha dizer que foram ingênuos, como tantos “arrependidos” andam fazendo por aí. 

Alguém tem que manter o foco. E o foco não é do Palácio do Planalto para fora. É para dentro. Aqui fora, ladrão querendo se empoderar é o que não falta, certo?

Sai um Wesley, vêm mais uns 15 safadões à procura de um político pra chamar de seu.

Por toda parte. É como uma praga, difícil controlar. Mas por outro lado, nunca se esperou nada desses caras.

Já os políticos são bem fáceis de localizar. E deles, tem gente que ainda espera muita coisa. Por incrível que pareça. Precisamos, TODOS, manter o foco.

Nem Wesleys nem Joesleys vão dar folga enquanto houver políticos dispostos a dizer sim. A se unirem a eles em comunhão de bens. 

Por enquanto, melhor dois fominhas voando pra Nova York do que meio (1/2) fominha aqui, mas com um corrupto em suas mãos.