Surgiu um cabelo branco na moda

E eis que um comercial de moda me deixa de boca aberta, o que há muito tempo não acontecia.

Só eu  achei linda e charmosa a modelo de cabelos grisalhos que aparece no filme de lançamento da coleção outono/inverno Renner?

O elenco do comercial é só garotada e eles não param quietos. Vão chegando agitados, como se estivessem atrasados, procurando alguma coisa ou alguém, observando quem chega, cuidando se vem alguém atrás. Uma mistura de desfile e interpretação que valoriza a roupa. Mas ela, não. Ela aparece lá em cima, na cobertura, com um ar de quem nunca se afoba. De quem chegou antes, o que não deixa de ser uma boa metáfora.

Emoldurada pelo cabelo grisalho, uma cara de quem tá muito bem consigo mesma.

Uma das raras vezes em que uma senhora de cabelo branco não é a vovozinha em um filme publicitário brasileiro. Nada contra vovózinhas engraçadas. Bem pelo contrário. Mas esta é uma mulher, apenas. Que se preocupa, sim, em acompanhar a moda. Que gosta de se sentir bonita.

E ela não destoa em um ambiente onde só aparecem jovens. Pelo contrário, surpreende com sua beleza única e o olhar mais penetrante de todos.

Enquanto tanta marca brasileira de moda perde oportunidade de se identificar com essa faixa etária, uma das poucas que tende só a crescer numericamente nos próximos anos, por medo de parecer “velha”, a Renner chega na contramão, fazendo barulho e reverenciando um público que andava totalmente esquecido.

Aprovadaço pelo SesenTeen.

 

 

Lab60+, soluções coletivas para a longevidade

O LAB60+ é um movimento que se propõe a revolucionar o significado da longevidade. Pessoas e organizações de todos os setores se unem para discutir, sugerir e implementar soluções coletivas que visam ressignificar o que é ser e realizar com mais de sessenta anos.

Não importa se você está perto ou longe dos 60, vale a pena assistir ao vídeo manifesto do movimento. Ele mostra uma realidade na qual a gente deveria pensar desde cedo.

 Siga o Lab60+ no Youtube e no Facebook

 

O cara que mudou a cara

Falando em inspiração para o surgimento desse site,  a palestra do TEDx “A nova cara da terceira idade”, realizado em Florianópolis, com o publicitário Max Petrucci, foi uma delas. É muito engraçado quando ele conta do tapa na cara que levou quando viu o livro “Growing Old is not for Sissies”, que traz fotos de pessoas de até bem mais do que 60 anos surfando, praticando esportes radicais, enfrentando com disposição os desafios da vida. Nessa época ele estava se sentindo velho. E ainda estava na faixa dos 30.

                Ícone atual da terceira idade 

Coincidência ou não, veja como são as coisas, um pouco depois disso, caiu no colo dele o briefing de um trabalho publicitário voltado para pessoas da terceira idade. Esse briefing deu origem ao projeto que mudou o símbolo dos idosos. Lembra como era? Não vale a pena. Era um velhinho curvado, caminhando apoiado em uma bengala. Conforme o Max Petrucci fala nesse TEDx, a bengala simboliza tudo de ruim associado, ainda hoje, a ser idoso no Brasil.

O mais interessante é a mudança de visão do publicitário de Max Petrucci sobre o envelhecimento. A publicidade é uma das atividades mais preconceituosas com esse assunto. Fora algumas marcas corajosas, que não têm medo de pensar e assumir posições diferentes, ou que simplesmente já se deram conta do potencial desse público, a maioria simplesmente nega o assunto. Não quer associar  sua imagem a alguém com rugas. Como se a partir de certa idade, as pessoas não tivessem mais opinião, desejos de consumo ou de qualquer outra natureza.

Assista ao TEDx no link da coluna ali ao lado, saiba mais e comemore com o SessenTeen, o fato do velhinho de bengala não ser mais a figura que representa as pessoas que completam 60 anos no Brasil.

 

SessenTeen, que história é essa?

A sociedade na qual a gente vive cria bastante expectativa a respeito da terceira idade.

Não sei se é por isso, mas por mais “easy going” que você tente ser na vida, sempre surge aquela inquietação. Como vai ser? Afinal, separaram a população entre os que têm menos e os que têm mais de 60 anos. Você vai passar a fazer parte de um grupo e ganhar um rótulo. Mas em você, algo vai mudar de fato?

Talvez a grande inversão da expectativa seja esta. De um dia para o outro, vai ter uma vaga garantida pra você no estacionamento do shopping, desde que esteja disposto a colocar seu carro em cima de um retângulo onde está escrito IDOSO. Você vai contar com o benefício de pagar meia entrada no cinema e em shows. E o que mais, mesmo? Era isso?

Fora essas convenções, que geram pequenas mudanças na vida, da sua pele pra dentro, tudo igual. Envelhecer é uma coisa que todos nós fazemos, sem parar, desde o dia em que nascemos. O que talvez tenha mudado, e radicalmente, é o número de pessoas que chega aos sessenta se sentindo com apenas um ano a mais e com expectativa de viver ainda algumas décadas. Isso sim é novidade.

Chegar lá sabendo que ainda tem um bom tempo pela frente, mais do que qualquer rótulo, é o que faz a gente parar pra pensar. Como queremos viver esse tempo, fazendo o que, com que propósito?

O SessenTeen foi criado para ser um lugar de reflexão, onde eu vou compartilhar as descobertas que tenho feito ultimamente  sobre tudo isso. Uma delas é o trabalho de Alexandre Kalache. No ano passado eu li uma entrevista com ele na Zero Hora, que foi uma das fontes de inspiração para a criação deste site. Nessa entrevista, o doutor em Saúde Pública pela Universidade de Oxford, Presidente do Centro Internacional de Longevidade do Brasil e diretor por 14 anos do Programa Global de Envelhecimento e Saúde da OMS, Organização Mundial da Saúde, compara “Quando a gente vivia até os 50, 60 anos, num passado recente, a vida era uma corrida de cem metros. Hoje a vida é um maratona”. Não é uma boa metáfora?

Curiosamente, aqui no Brasil, um país de dimensões gigantescas no que se refere à falência do sistema previdenciário, é considerado “normal”, nessa época da vida, a pessoa entrar em férias. E nunca mais sair. Não tá mais do que na hora de transformar isso? Como toda boa mudança, essa só vai  acontecer, se a gente começar a pensar sobre o assunto. Simbora?

Jane Fonda, inspiração que não acaba mais

No início dos anos 70, Jane Fonda trabalhou em um filme chamado Klute (no Brasil, Klute, o Passado Condena), que era legal, mas isso não vem ao caso.

O que eu nunca vou esquecer é do estilão dela nesse filme. Especialmente o do cabelo. Era uma coisa meio índia americana, com um toque de descuido à francesa, como uma parisiense saindo de casa de manhã sem pentear a franja.

Jane Fonda fazia o papel de uma garota de programa, no filme. Mas isso também não vem ao caso. A grande personagem era ela. E a partir daquele dia, eu visceralmente precisava ter aquele corte de cabelo.

Gosto de pensar que Jane Fonda percebeu cedo que sempre chamaria mais atenção para si mesma do que para seus personagens. E a partir daí, resolveu apostar tudo no filme da própria vida, como diretora, produtora e protagonista.

Logo ela faria o papel de introduzir a corrida como o exercício preferido da minha vida. Com uma simples dica: começar aos poucos, intercalando trote e caminhada. Pra não ter que abandonar o esporte em função de uma lesão no joelho, por exemplo. Nessa época ela apareceu menos na telona e mais na telinha, com seus famosos vídeos ensinando a malhar.

E depois de um longo período um pouco fora do meu foco de interesses, eis que ela ressurge flamejante em Grace, no seriado original da Netflix, Grace and Frankye, esbanjando bom humor e uma beleza inacreditável para os seus 78 anos

Jane Fonda não faz feio como atriz. Mas desconfio que interpretar nunca foi seu grande barato. Esse está muito mais em viver bem, em fazer da vida o grande espetáculo. Isso se confirma plenamente em seu livro “Jane Fonda, o Melhor Momento”.

Mais uma vez a atriz estudou mais que toda a turma e ainda sobrou disposição pra chegar distribuindo cola no dia da prova. O livro propõe um jeito diferente de encarar e entender esse que é o terceiro ato das nossas vidas. Menos pelo ângulo da simples decadência física e mais pelo da possibilidade de evolução e ascensão contínua. E isso sim, vem totalmente ao caso. Já reparou a revolução da longevidade que estamos todos protagonizando?